Conectividade empresarial
Continuidade e dados: 6 perguntas para fazer ao seu provedor
Um roteiro objetivo para avaliar redundância, SLA e responsabilidade sobre dados antes de assinar um contrato corporativo.
Toda rede está sujeita a imprevistos: um cabo pode romper numa obra na rua, um equipamento pode queimar ou uma operadora de trânsito pode sofrer um incidente. O que separa uma operação preparada de uma dor de cabeça é o que foi desenhado e combinado antes do problema acontecer.
Reunimos abaixo seis perguntas práticas para fazer a qualquer fornecedor de conectividade ou nuvem. Também deixamos as nossas respostas em cada ponto para servir de comparação.
1. Por onde o tráfego sai se a rota principal cair?
Ouvir apenas “temos redundância” ajuda pouco. O que importa é saber quantos caminhos reais existem.
Pergunte quantos links de saída o provedor mantém, de quantas operadoras distintas eles vêm e se passam por rotas físicas separadas. Três links contratados da mesma operadora ainda dependem da mesma estrutura lá atrás.
Vale perguntar também se o fornecedor opera com Sistema Autônomo próprio (ASN). É esse registro que permite anunciar rotas diretamente na internet e resolver desvios de tráfego dentro de casa, sem depender de terceiros para mexer no roteamento.
Na ATPlus: operamos nosso próprio Sistema Autônomo (AS267121) desde 2018. Na saída do backbone, contamos com 7 conexões de operadoras distintas, nacionais e internacionais, além de ligação direta aos PTTs (IX.br) de SP, PR e SC. Nossa malha soma 50+ pontos de presença em 6 estados, considerando cada ponto onde temos um roteador de borda (provider edge) ativo. Desses, 6 ficam em Lages, atendendo a rede de acesso regional. Quando um trecho sofre queda, o tráfego recalcula o caminho pelas outras saídas.
Qualquer pessoa pode conferir esses dados: nosso looking glass é aberto em lg.atplus.com.br, e a validação de rotas em RPKI registra zero anúncios inválidos.
2. Qual é a disponibilidade medida e de quando é esse número?
“Alta disponibilidade” sem número e sem data vira só promessa comercial. Peça o percentual medido, o período de apuração e o escopo exato da medição.
Outro detalhe importante é perguntar o que entra e o que sai da conta, já que janelas de manutenção programada costumam ser descontadas do cálculo.
Na ATPlus: registramos 99,9% de disponibilidade medida no núcleo da rede ao longo de 2023. Mantemos a data explícita para você saber exatamente a que período o dado se refere. Na hora de fechar um projeto novo, as métricas e condições vigentes entram detalhadas na proposta.
3. O SLA é de início de atendimento ou de reparo concluído?
Essa diferença muda tudo na leitura do contrato. SLA de atendimento é o tempo máximo para a equipe técnica assumir o chamado e iniciar o diagnóstico. SLA de solução (ou reparo) é o prazo para o link voltar a operar. Nem toda proposta deixa claro de qual dos dois está falando.
Pergunte também como funciona o acionamento na madrugada ou no fim de semana, e quais são as condições previstas no contrato caso o prazo estoure.
Na ATPlus: no link dedicado, nosso SLA contratual é de até 4 horas para início do atendimento, com suporte técnico 24×7. As condições completas de atendimento e reparo ficam descritas na minuta do contrato.
4. Quem atende o chamado na hora do incidente?
Quando a operação para, passar por vários níveis de triagem até encontrar alguém com acesso aos equipamentos custa caro. Pergunte se a equipe de suporte é própria ou terceirizada, onde ela trabalha e se tem acesso direto à gerência da rede.
Na ATPlus: o atendimento é feito por equipe própria 24×7, a partir da nossa central em Lages e com operação local em Curitibanos. Quem atende o seu chamado acompanha a mesma tela de monitoramento de quem opera o backbone.
5. Onde os dados ficam guardados e quem cuida da estrutura?
Quando o projeto inclui servidores em nuvem, hospedagem ou backup, entram questões importantes de guarda e recuperação de dados:
- Qual empresa opera fisicamente o data center onde o serviço roda?
- Como funcionam a energia de backup, a refrigeração e a dupla entrada de fibra no prédio?
- Qual é a frequência das cópias, por quanto tempo ficam guardadas e com que frequência o teste de restauração é feito? Só dá para confiar em um backup depois de testar a volta dos arquivos na prática.
Outra pergunta essencial: o backup fica guardado no mesmo prédio do servidor principal? Se os dois estiverem na mesma sala, um sinistro físico compromete tanto o sistema em produção quanto a cópia de segurança.
No Grupo ATPlus: os serviços de nuvem e data center são operados pela Platon, e o backup gerenciado pela Backup Seguro. Nossa infraestrutura está distribuída em seis sites: o LGS01, em Lages, funciona em prédio próprio operado pela nossa equipe; os outros cinco funcionam em data centers parceiros em Florianópolis (FNS01), Curitiba (CTA01), Cotia (SPO01), São Paulo (SPO02) e Fortaleza (FLA01). No Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro temos presença exclusiva de backbone, sem oferta de data center. Na proposta comercial, especificamos por escrito qual site atenderá o seu ambiente, a retenção configurada e o escopo contratado.
6. O que acontece com os dados ao final do contrato?
Esse ponto quase nunca aparece na negociação inicial, mas é fundamental para a governança da empresa e para o cumprimento da LGPD.
Perante a lei, a empresa contratante normalmente responde como controladora dos dados pessoais, enquanto o provedor de nuvem ou backup atua como operador. Por isso, o contrato precisa prever com clareza:
- O prazo e o formato para devolução ou migração dos dados no encerramento do serviço.
- O procedimento de exclusão definitiva das cópias após a entrega.
- O fluxo e o prazo de comunicação de incidentes caso ocorra algum evento de segurança.
- O canal de contato responsável no fornecedor para temas ligados a privacidade.
Desconfie de promessas de risco zero. O que um bom fornecedor entrega é método, monitoramento constante e responsabilidade bem definida em contrato.
Como avançar na avaliação do seu projeto
Este artigo traz um roteiro técnico de contratação e não substitui a análise jurídica ou do encarregado de dados (DPO) da sua empresa sobre requisitos específicos da LGPD.
Na parte de engenharia, nosso time ajuda a desenhar a topologia adequada para o seu cenário: link dedicado principal, contingência em banda larga com virada automática, estudo de dupla entrada física e rotina de backup fora da sede.
Se quiser conversar sobre essas seis perguntas aplicando ao cenário da sua empresa, fale com um especialista. Você também pode consultar os registros públicos da nossa operação na página de infraestrutura.